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O Fórum Brasileiro de Turismo Responsável é uma iniciativa do Grupo Vivejar que reúne gestores públicos, empreendedores, comunidades e pesquisadores para construir uma agenda coletiva para o turismo no Brasil. Desde a primeira edição, realizada em Brasília, em setembro de 2025, a iniciativa gerou compromissos para o setor, deu origem ao livro UMATALHI, promoveu uma edição regional em Belo Horizonte e se prepara para chegar a Manaus, de 23 a 25 de novembro de 2026.

Essa trajetória não se resume à realização de novos encontros. A cada etapa, ideias, experiências e propostas passaram a integrar uma discussão mais ampla sobre os caminhos do turismo responsável no Brasil. O UMATALHI tem um papel central nesse processo: registrar o conhecimento produzido coletivamente e permitir que ele continue circulando para além dos dias do evento.

Brasília, 2025: o início de uma construção coletiva

Primeira Edição Nacional do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, em Brasília, 2025.

Realizado nos dias 11 e 12 de setembro de 2025, o primeiro Fórum Brasileiro de Turismo Responsável reuniu 181 pessoas inscritas, com participantes de todas as regiões do país. A programação contou com tradução em Libras e estrutura adaptada, incorporando a acessibilidade à organização do encontro desde sua primeira edição.

Outro destaque foi o Prêmio Vitrine do Turismo Responsável, que recebeu 72 iniciativas inscritas. Desse total, 86% eram lideradas por mulheres e 57% por pessoas negras. Os números, apresentados no UMATALHI por Aline Bispo, curadora do prêmio, ajudam a dimensionar a diversidade de pessoas e iniciativas que já atuam no setor.

A construção coletiva também esteve no centro da programação. Na oficina “Cocriando os próximos passos do turismo responsável”, pesquisadores do Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade (LETS/UnB) conduziram atividades com 63 participantes, divididos em quatro grupos. O trabalho resultou em um mapeamento de desafios, soluções e encaminhamentos para o desenvolvimento do turismo responsável.

Mais do que reunir percepções, a oficina estabeleceu uma base de trabalho para as etapas seguintes. As propostas levantadas precisavam ser organizadas, registradas e levadas adiante, para que as discussões não terminassem com o encerramento do encontro.

A imersão na Comunidade Kalunga Engenho II e as referências para o turismo responsável

Visita técnica: Imersão na Comunidade Kalunga Engenho II

Nos dias 13 e 14 de setembro de 2025, após a programação em Brasília, participantes do Fórum estiveram na Comunidade Kalunga Engenho II, em Cavalcante (GO), em uma visita técnica à comunidade quilombola.

A experiência trouxe para a discussão referências concretas de gestão comunitária do turismo. Em relatos publicados no UMATALHI, Solange Barbosa, Vitória Camillo, Natália Oliveira e Tânia Neres destacam mecanismos de controle da visitação, como a capacidade de carga das cachoeiras, o número de visitantes por guia e o tempo de permanência nas áreas naturais.

Cecília Araújo, da ONG Caminhos da Serra, chama a atenção para os mais de 20 anos de organização da atividade turística na comunidade. Os relatos abordam o papel das associações na distribuição da renda entre as famílias envolvidas e o monitoramento de dados para avaliar os efeitos do turismo. Também registram um desafio que permanece: a regularização fundiária.

Essas experiências ampliam a discussão sobre turismo responsável ao mostrar como decisões relacionadas à visitação, à gestão dos recursos e à distribuição dos benefícios influenciam a atividade. O caso Kalunga também ajuda a aproximar os compromissos discutidos no Fórum das condições enfrentadas por comunidades que organizam e recebem visitantes.

Dos debates aos compromissos para o turismo responsável

A oficina de cocriação de Brasília organizou os resultados em sete eixos, que abrangem temas como comunicação e sensibilização, capacitação, governança, financiamento e marco legal.

Entre os encaminhamentos propostos estão a apresentação do relatório do Fórum ao Conselho Nacional de Turismo, a inclusão do turismo responsável na Política Nacional de Turismo, a criação de um Fundo Nacional para o Desenvolvimento do Turismo Responsável e a manutenção do Fórum como espaço permanente de diálogo.

O trabalho também resultou em sete compromissos individuais, escritos em primeira pessoa e integrados ao Manifesto para o Turismo Responsável. Eles incluem escutar e dialogar com respeito à diversidade, participar das decisões locais e registrar e comunicar as próprias ações e seus indicadores de forma ética.

A agenda começou a circular para além do encontro. Em janeiro de 2026, conforme a ata da Câmara Temática de Sustentabilidade e Ações Climáticas do Conselho Nacional de Turismo, Marianne Costa apresentou a edição nacional do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável e a proposta de realização de edições regionais. 

Esse desdobramento dialoga com uma questão levantada por Cecília Araújo durante a oficina de Brasília: como manter a mobilização entre um encontro e outro, com uma rede ativa e atividades regionais? A publicação dos resultados, a articulação com instâncias do setor e a realização de novas edições passaram a integrar essa busca por continuidade.

UMATALHI: conhecimento produzido coletivamente, para além do evento

Livro UMATALHI

O livro UMATALHI materializa o compromisso de preservar e compartilhar o conhecimento produzido no primeiro Fórum Brasileiro de Turismo Responsável. Publicada na Coleção Travessias pelo Instituto Vivejar e pelo LETS/UnB, a obra tem 111 páginas e reúne 35 autoras e autores.

Na apresentação, os organizadores explicam que o livro foi concebido para que os resultados do encontro não ficassem restritos aos dias do evento, mas pudessem circular e contribuir para as discussões seguintes. Essa proposta está alinhada a um dos princípios do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável: construir um legado por meio do registro e do acesso aos conteúdos produzidos, permitindo que as reflexões alcancem novos públicos e sirvam de base para debates futuros. A iniciativa ganha importância em um projeto que prevê encontros bienais e edições regionais, pois ajuda a dar continuidade às discussões e a ampliar o conhecimento construído coletivamente. 

O título vem de uma palavra do idioma Yawalapiti apresentada por Anna Terra Yawalapiti, liderança indígena do Xingu que participou da edição nacional e preside a Organização Familiar Umatalhi. Os organizadores associam o termo à construção coletiva com respeito e união.

A publicação está organizada em três partes. A primeira reúne textos sobre escuta, certificação, bioeconomia e experiências de turismo responsável em diferentes regiões. A segunda aborda temas que ainda precisam avançar, como promoção internacional, comunicação, visitação turística em terras indígenas e afroturismo. A terceira apresenta os resultados da oficina de cocriação realizada em Brasília.

Os capítulos também registram diferentes perspectivas sobre os caminhos do setor. Pedro Nassar, do Instituto Mamirauá, argumenta que, entre turismo sustentável, responsável ou regenerativo, a questão central está menos no rótulo adotado e mais na maneira como a atividade é conduzida. Marianne Costa, por sua vez, destaca na abertura o potencial do livro como respaldo técnico para quem atua no turismo.

Assim, o UMATALHI não funciona apenas como memória do primeiro encontro. Ao reunir análises, experiências e propostas, oferece referências para gestores públicos, empreendedores, pesquisadores e comunidades que buscam avançar na construção de um turismo responsável.

O Ebook pode ser acessado na página do UMATALHI no site do Grupo Vivejar, mediante preenchimento de um cadastro.

Belo Horizonte: os compromissos chegam à escala regional

Primeira edição regional do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, em Belo Horizonte

Em 10 e 11 de março de 2026, Belo Horizonte recebeu a primeira edição regional do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, no Teatro Francisco Nunes. Com foco na mineiridade como ponto de partida para a sustentabilidade, o encontro deu continuidade às discussões iniciadas em Brasília.

A edição teve carbono neutro, plástico zero e a elaboração de um Relatório de Impacto entre as medidas e os resultados previstos, conforme divulgado pela Tribuna de Minas.

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, as edições regionais buscam ampliar o debate em cada região, dar protagonismo a iniciativas transformadoras e fortalecer as instâncias de governança regional. Esses objetivos dialogam com as propostas discutidas na oficina de Brasília, especialmente a necessidade de manter espaços de articulação para além do encontro nacional.

A passagem por Minas Gerais também marcou uma mudança de escala: as questões debatidas nacionalmente passaram a ser trabalhadas a partir de contextos regionais, com suas características, iniciativas e desafios. A previsão de novas edições em diferentes cidades ao longo de 2026 amplia essa proposta e prepara o caminho para a chegada do Fórum à Amazônia.

Manaus: a Edição Amazônia e os próximos passos 

De 23 a 25 de novembro de 2026, Manaus recebe a Edição Amazônia do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável. A programação prevê debates e oficinas sobre o papel do turismo no enfrentamento das mudanças climáticas.

Entre as atividades anunciadas estão o painel “Turismo como Aliado no Enfrentamento ao Racismo”, em 23 de novembro, às 16h, e a Oficina Afroturismo e Diversidade, no dia 24, às 8h30. O lançamento também contou com o anúncio da participação do presidente da Embratur, Bruno Reis, na abertura. O evento tem apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da ManausCult. As inscrições estão disponíveis no Sympla.

A chegada à Amazônia amplia a discussão sobre as relações entre turismo, conservação ambiental, mudanças climáticas e justiça social. Ao mesmo tempo, mantém em aberto uma questão que acompanha o Fórum desde sua primeira edição: como transformar as reflexões e os compromissos coletivos em ações que possam ser acompanhadas e aprimoradas ao longo do tempo?

Brasília estabeleceu uma base de discussão e definiu encaminhamentos para o turismo responsável no Brasil. Em seguida, a imersão na Comunidade Kalunga Engenho II trouxe referências de gestão comunitária que ampliaram o debate. 

Essas experiências e propostas foram registradas no UMATALHI, permitindo que o conhecimento produzido no primeiro encontro continuasse circulando. Já em Belo Horizonte, a discussão ganhou uma perspectiva regional. Agora, em Manaus, essa construção coletiva avança com novos participantes, questões e experiências a serem incorporados à agenda do Fórum.

Os próximos encaminhamentos ainda serão definidos coletivamente. É nesse processo que o Fórum Brasileiro de Turismo Responsável busca avançar: mantendo o conhecimento em circulação, ampliando o diálogo entre diferentes atores e construindo uma agenda para o turismo responsável no Brasil que possa seguir em desenvolvimento depois de cada encontro.

Acompanhe o Fórum Brasileiro de Turismo Responsável. 

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